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Daniel Madruga
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9/28/2002
14:47:27
Subject: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
Nasci nos EUA porém fui criado em Lisboa, Portugal. Regressei aos EUA e neste momento vivo em San Francisco, California, lugar onde residem muitos brasileiros. Em 98 conheci uma moça brasileira que se tornou minha esposa. Através dela tenho conhecido muito a comunidade e a cultura brasileiras. E uma coisa eu notei em relação à língua que dizem que falam. Dizem que é o português sim senhor, mas do Brasil, como se em Portugal se falasse uma lingua diferente.
Depois de muitos debates sem resolução resolvi investigar na Net quando deparo com este artigo ("Brazilian Spoken Here" - www.brazzil.com/p47sep98.htm) que para mim é a coisa mais ridícula que alguma vez li. Brasileiro fala brasileiro? Não fala Português? Por favor!!! Tem muitos brasileiros que falam errado, não porque falam diferente, mas simplesmente porque nao têm estudos. Mas isso acontece em qualquer país do mundo. Se algum português diz que o brasileiro fala errado é porque é ignorante. As diferenças que a Sra Fabres menciona são mais que conhecidas e as razões para tais diferenças estão nas influências que cada país teve.
No Brasil vivem todo o tipo de raças que trouxeram um pouco de influência para não falar no povo original: o índio. Portugal descobriu o Brasil em 1500. Só lá voltou 50 anos depois e o português só passou à lingua oficial exclusiva em 1720 quando o rei expulsou os jesuítas. Até então era o português e um dialecto índio que me esqueço agora. Com a chegada do rei D. João VI as diferenças diminuíram, para voltarem a aumentar com a imigração para o Brasil e com os termos técnicos. Isto é a coisa mais natural do mundo!
Agora dizerem que falam brasileiro e nao português é ridiculo. Até em Portugal, que é tao pequeno tem as suas diferenças, por exemplo um choupe em Lisboa é uma imperial, no resto do país é um fino. Apanhar um táxi em Lisboa é apanhar uma tarifa no Porto. E agora? Em Lisboa fala-se português ou lisboeta ou português de Lisboa? Sra Fabres, para a sra poder se comunicar em português em Portugal não precisa de aprender outra língua, porque já é a língua que a sra fala. O que vai necessitar é de tempo para se acostumar com o sotaque. Somente isso. Questão de tempo e de ouvido. Foi o que aconteceu com a minha esposa.
Essa de italiano ser mais fácil é absurdo. Como a sra diz é preferível esquecer o vosso passado colonial no qual vocês foram parte do império português. Culpam Portugal de ser o responsável pela situação do Brasil. Já me disseram que gostariam de ter sido colonizados por japoneses para poderem estar a competir com os EUA pelo domínio mundial. Absolutamente ridículo. A minha própria esposa diz que gostaria que o Brasil tivesse sido colonizado pela França, Itália ou pela Alemanha, mas depois arrepende-se porque assim nao falaria português que é uma língua linda, E que o povo brasileiro seria diferente. Vocês esquecem que foram os portugueses que vos criaram, ao se relacionarem com os índios e levando os negros.
Foi horrível tudo o que aconteceu, mas nunca teria surgido essa raça maravilhosa brasileira. Aqui na América muita gente pensa que brasileiro fala espanhol simplesmente porque não conhece Portugal. Mesmo vocês não conhecem. Só conhecem a capital e o Pedro Álvares Cabral. É difícil saber que a vossa terra mãe é dos países mais pobres da União Européia, sem expressão internacional, mas infelizmente essa vocês vão ter que engolir. Não tentem convencer o mundo que falam uma língua que não é o português para assim romperem o unico laço que une os dois povos, porque só os ignorantes é que vão acreditar.
Eu trabalho com hispânicos, e todos eles dizem que falam espanhol e todos eles sabem das diferenças de país para país e principalmente para a terra mãe, Espanha. Não falam mexicano ou espanhol do México mas simplesmente espanhol. Americano não fala americano mas sim inglês e brasileiro fala português e somente. E tenham orgulho nisso. Quanto aos nomes, minha senhora, deixe-me dizer que o Pelé é conhecido não por causa do nome mas pelo que fez. Ele até poderia ser chamado de Aguinaldo que seria conhecido. Os meus cumprimentos.
P.S. Teve uma moça brasileira que conheci numa festa que fez a seguinte pergunta. Lá em Portugal passa novela brasileira? Eu respondi que sim e muitas. E ela perguntou: e tem legendas para vocês entenderem? Eu não sabia se havia de rir ou chorar, pelo ridículo ou pela ignorância, mas lá me contive e respondi que não é necessário legendas quando se fala a mesma língua. Sra Fabres, não sei se já foi a Portugal, mas se foi gostaria de saber se teve que comprar aqueles guias turísticos com tradução.

Daniel Madruga



Caio
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9/30/2002
05:37:49
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
Ola,

Discordo. Varios linguistas afirmam que o "brasileiro" ja uma outra lingua.

Vide "Portugues ou Brasileiro?", de Marcos Bagno (www.marcosbagno.com.br).

Abraco,

Caio


Um brasileiro
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9/30/2002
10:26:31
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
Do jornal Valor Econômico

Nossa língua

O idioma do brasileiro não é mais o português
"Português ou Brasileiro? - Um Convite à Pesquisa", De Marcos Bagno. Parábola Editorial, 182 págs. R$ 14,40
Carolina Juliano, De São Paulo


Foto: Arte Valor



A língua que se fala no Brasil não é mais o português. Quinhentos anos depois do Descobrimento - e sete mil quilômetros distante de Portugal -, o vernáculo brasileiro incorporou termos, adaptou expressões e se transformou. Hoje, o idioma por meio do qual o brasileiro se comunica ainda não pode ser considerado uma nova língua, mas também não é mais o português que se fala em Portugal. Essa é a conclusão a que chegou o lingüista Marcos Bagno, autor do livro "Português ou Brasileiro? - Um Convite à Pesquisa", resultado de sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.



O "convite ao debate" que Bagno faz é uma proposta ambiciosa. Uma proposta de renovação na formação dos futuros professores de língua portuguesa. É a aceitação por parte deles das mudanças que a língua já sofreu e vem sofrendo com o passar do tempo. "Minha 'briga' não é com o português de Portugal, mas com a idéia de 'português' que vigora na nossa cultura", explica Bagno. "'Português', na escola brasileira e no senso comum, é um ideal de língua, uma espécie de entidade mítica à qual poucas pessoas têm acesso."



O que se chama hoje em dia de "português", segundo o lingüista, é o conjunto de regras definidas arbitrariamente como as únicas "certas" e "boas". De acordo com ele, esse conjunto de normas não corresponde à língua viva dos brasileiros nem, em boa parte, dos portugueses. "Existe uma distância muito grande entre a língua realmente falada pelos brasileiros, inclusive pelos classificados de cultos, e o ideal de língua que ainda vigora no nosso senso comum", explica.



A proposta de Marcos Bagno é repensar a língua que se fala por aqui sem considerar que ela é cheia de erros. Deixando esse preconceito de lado, a missão é passar a reconhecer que essa língua constitui, de fato, a nossa língua materna e o nosso meio de expressão. Bagno diz que o brasileiro não gosta da língua que fala porque desde sempre ela foi comparada à falada em Portugal. "Se passarmos a vê-la com olhos de brasileiros poderemos começar a construir uma auto-estima lingüística mais elevada."



Os motivos que levaram a língua portuguesa a se "desvirtuar" no Brasil são os mais óbvios. A história do Brasil não seguiu o mesmo curso que a portuguesa. Existem, entre os dois países, diferenças étnicas, históricas, políticas e geográficas. São dois países com organizações políticas e sociais muito distintas. "E só podemos falar de língua se existirem seres humanos de carne e osso que falem essa língua. Assim, as diferenças entre o português do Brasil e o português de Portugal são o reflexo das diferenças entre Brasil e Portugal."



Bagno explica que as diferenças estritamente lingüísticas entre o português brasileiro e o português europeu atingem todos os níveis da língua: fonética e fonologia, sintaxe, morfologia, vocabulário, semântica e pragmática. Mas mesmo assim não é possível ainda afirmar que falamos o "brasileiro". "Isso significaria o esquecimento do nosso passado colonial, que não pode ser apagado porque é história. Somos um país nascido de um processo colonial, com tudo o que isso significa", diz Bagno.



Por outro lado, o lingüista diz que esquecimento maior, mais sério e perigoso seria aceitar que a língua do Brasil é a língua portuguesa. Negar o vocabulário próprio do brasileiro é negar as características dessa língua, parte integrante da nossa identidade nacional, que foi construída a duras penas com todas as lutas que o povo brasileiro enfrentou e continua enfrentando para se constituir como nação.



"Estamos numa etapa intermediária da nossa língua", diz Bagno. "Isso porque ainda há um grau de compreensão possível entre brasileiros e portugueses, sobretudo em determinadas camadas sociais mais letradas e em certos gêneros." No momento em que essa compreensão ficar mais difícil - ou até impossível -, o professor julga que estaremos finalmente diante de duas línguas totalmente diferentes.



O tempo que isso pode levar para ocorrer é impossível de determinar. Mas não há dúvidas de que é um processo irreversível. O professor lembra que, se recuarmos no tempo, veremos que, 500 anos atrás, o português era muito diferente do que é hoje e há mil anos, mais diferente ainda. Há 1.500 anos nem era português, mas latim vulgar, e há 10 mil anos não era nem latim, mas indo-europeu. "Não há por que imaginar que daqui para a frente a coisa vai ser diferente."



Não é preciso promover a mudança lingüística, na visão do pesquisador. A mudança é inerente à língua. As formas tipicamente brasileiras já estão devidamente incorporadas e assumidas pelos seres humanos que têm o português do Brasil como sua língua materna. "Eles aprenderam essa língua em casa, com a mãe, os irmãos, a família, os amigos", diz. "A língua materna de uma pessoa é parte integrante da personalidade individual e social dessa pessoa."



O que ele diz que é preciso fazer é reconhecer o português brasileiro como língua legítima para o ensino, para a produção literária e para os meios de comunicação. Para isso, segundo Bagno, a escola tem de parar de tentar ensinar uma norma-padrão antiquada, instituída no século XVI em Portugal, e voltar-se para o conhecimento da realidade lingüística brasileira. Parar de acusar nossa língua de ser cheia de "erros" e tentar conhecer sua gramática, descrever suas regras e explicar os fenômenos lingüísticos que a caracterizam.




Silvio
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9/30/2002
21:13:50
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
What?

Pleas speak American.




eurokid
Guest


10/01/2002
18:39:31
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
Hiya, to those that dont read portuguese it is simply a debate about why brazilians call their language brazilian and not portuguese. ( If u want to know what they are saying simply cut and paste the text to an online translator such as : http://translator.dictionary.com/text.html )This seems an issue which bothers other portuguese speaking countries. Mainly Portugal! I personally know alot of Portuguese people from Portugal and have lived in Portugal for 7 years so I have no problem what so ever in understanding them, although I do find it hilarious when brazilians go visit Portugal and cant understand a single word they say, saying they speak too quickly!! Not true, just different dialect and use of different slang/words etc. However I still would not go that far and say that it is a different language, brazilian is still portuguese. This would be the same as saying that USA english is a different english than the one from Britain. The dialect yes, but not the language.


brazilloverboy
Guest


10/03/2002
22:18:02
Português
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Message:
Caro Daniel,

Primeiro, parabéns! Você fala um excelente português! (pois, viveu em Portugal, como disse).

Como pude ver, você conhece bem o Brasil e é uma pessoa inteligente, no entanto, deve lembrar-se que há mais de 175 milhões de brasileiros e, que nem todos compartilham desta idéia de 'brasileiro'. O nosso idioma é português e todos sabem e o aceitam. O que há aqui, como em todo o mundo é uma diferenciação de acordo com a localidade. Voce vai ao Subway ou ao Underground/Tube? Procura a EXIT no SUBWAY em ou a ---> Way Out---> Way Out (no undergroud/tube)?

Assim como alguns termos variam, variam-se também os sotaques e nem muitos (no Brasil) tem a oportunidade de manter qualquer contato com outros países -até mesmo com Portugal-, podendo assim, imaginar que o Portugues falado em Lisboa é uma outra língua. (nao é.)

Se tu já viestes ao Brasil, deves saber que há sotaques diferenciados e que aqui varia-se até mesmo a conjugação dos verbos e utilização dos pronomes. TU-VOCE

Creio que voce generalizou a sua opiniao como se houvesse somente 5 MI de brasileiros.

Como voce mesmo disse, Portugal é o país mais pobre da UE, mas, nota-se cada vez mais a influencia do ''nosso'' portugues por lá e dos nossos costumes, também.

Não se esqueça que haviam muitos imigrantes por aqui e nem todos tem ascendencia portuguesa (eu tenho).

Alias, voce sabe que é comum fazer piadas sobre Portugueses no Brasil? Se sim, voce deve saber, ainda, que os portugueses o sabem e `importam` o nosso humor e a nossa cultura.

Somos países irmãos que dividimos o mesmo idioma.
Eu compreendo e sou compreendido falando portugues com qualquer outro cidadao do mundo, seja ele de Portugal, Angola, Cabo Verde, Macao, Timor etc..

Não culpo Portugal por colonizar o Brasil e tornar o Portugues a lingua oficial. Se outra lingua me agrada, eu a estudo e a torno uma lingua oficial, também.

Conhecer Portugal não é conhecer o Brasil.

Seja bem vindo ao Brasil!

Abraços,
Reynaldo


Patinho
Guest


10/04/2002
03:00:20
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:


Eurokid.... isn't it ironic that Silvio said "Speak American" as opposed to "Speak English"?
Often, when I am with Brazilian freinds, who have learned very proper english, then I use a common form of slang, they will jokingly correct me. I reply to them... "hey... I am not speaking english.. I am spaking Ameericaan.." (country accent)
Anyway... I think that it's cool that Brazilian's call it "Brazilian". Even if it's a Portuguese Dialect.


Rogério Sallaberry
Guest
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10/06/2002
19:13:24
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
Somente mais um detalhe que DEVE ser ressaltado. O Brasil não foi descoberto em 1500. Se isto também é ensinado nas escolas portuguesas assim como são ensinadas erroneamente no Brasil isto deve ser corrigido imediatamente.

Para os internautas (este é um neologismo brasileiro, ou será português?) gostaria de acrescentar que já em 1492, na vinda de Colombo e antes ainda do tempo do Infante que era sabido da existência de quantidades enormes de terras que foram divididas por Portugal e Espanha no tratado de Tordesilhas. Portanto, Pedro Álvares Cabral veio ao novo mundo apenas tomar posse e não "descobri-lo".

Essa hstória de descobrimento é apenas parte da campanha nacionalista promovida desde o século XIX por intelectuais como Olavo Bilac que ressaltavam com orgulho a nossa pátria e, claro, é muito mais romântico dizer que, por acaso, nobres homens portugueses aportam na américa. Tudo isso está muito bem documentado por Pero Vaz de Caminha tudo isso a longínquos abril de 1500...


Brazilian
Guest


10/07/2002
11:19:20
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
Bom, de qualquer forma, o Brasil foi descoberto a 500 anos atrás (vamos arredondar, certo?), e a Austrália a 200 anos atrás. Hoje a Austrália é um país de primeiro mundo colonizado pelos ingleses e o Brasil é um país em muitas áreas ainda subdesenvolvido e com grande contrastes sociais. Herança portuguesa.


Bertolina
Guest
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11/15/2002
13:35:25
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
A língua falada no Brasil, assim como qualquer outra está sempre em evolução. Por isso com o passar do tempo aparecem as variações linguisticas que não podem de maneira nenhuma serem classificadas como erradas. Por isso algumas pessoas preconceituosas discriminam e exclui determinados grupos sociais. É afirmado que somente a norma culta é correta por ser a falada pela classe social alta, isso é preconceito puro. Nós falamos diferente de Portugal sim, e daqui alguns anos estaremos falando somente o brasileiro e não o atual português, pois "a língua é como um rio caudaloso que nunca se detém em seu curso", como afirma Marcos Bagno em seu livro "Preconceito Linguístico.


Anonymous
Guest


11/15/2002
23:55:35
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
Um dia, faz tempo, um gentilhombre de Inglaterra educado em O Oxford chegou aqui em nossas islas de Hawaii. ele fiqou em choque ao ovir a fala da gente local. Para ele era um crime contra a lengua do rei dele. MAS, quando ele encontrou uma moca linda dancando a hula e dando olho pra ele --trocou da idea. Hoje dia ele sta praticando falar o nosso pidgin mesmo.

Todo nos somos irmaos, de qualquer lengua. O negocio e de comunicar as ideas. Os portugueses aqui nao falam nada de portugues, como os japoneses tampouco sua lengua, mesmo os puertoriquenos. Assim nasce uma langua nova.


Alnicom
Guest


11/16/2002
05:52:54
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
A lingua oficial do Brasil na época da colonização foi o tupi, lingua essa onde temos a maior influencia, porém esse tupi foi totalmente modificado. Ex:
O tupi se assemelha um pouco ao ingles. São termo simples. No tupi as palavras somente eram usadas naquilo que eles conheciam. A lingua foi se alterando para que houvesse um entendimento entre os indios e os jesuitas. Os jesuitas pegaram oca=casa e tupã=Deus e disseram aos indios q isso era Igreja, isso não existia no tupi, mas os esuitas foram criando uma nova lingua apratir dessas aglutinaçoes!

www.painet.com.br/joubert (vcs irao encontrar coisas sobre o tupi, e até um curso por email).




Moises
Guest
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11/18/2002
10:04:34
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
No importa que lengua se hable en Brasil lo impor
tante es sentir amor por la tierra donde se vive.
Todos venimos de otra parte y nada nos impide ir-
nos a donde quisieramos pero lo mas importante don
de quiera que estemos es sentirnos LIBRE.
No importa que idioma hablemos o que raza.
Suerte a todos los nacidos en este mundo y Brasil
es parte de el.


Alex
Guest
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11/18/2002
12:49:56
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
Bem, moro no Brasil, achei esse site por acaso enquanto fazia uma pesquisa ne internet. Em relaçaõ ao assunto abordado é interessante notar com todos estão certos em alguns pontos de suas opniões, aqui no Brasil se fala o português com o seu sotaque característico, dizer que é uma língua totalmente diferente da falada na terra mãe é um absurdo. Em angola o português lá falado é mais parecido com o de Portugal porque não ouveram os imigrantes como no Brasil, a língua falada aqui é um resultado de adaptação ao tempo e aos imigrantes que aqui vieram morar. Nos EUA o inglês falado lá´é um pouco diferente do falado na Inglaterra nem por isso eles dizem que falam "americanês", então para quê discutir por algo tão banal e que se crescer irá acabar virando uma guerra "ORA POIS".


Alnicom
Guest


11/18/2002
15:42:18
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
MOISES -> Muy bueno su comentario, es lo que yo penso tambien, tenemos que pensar en la vida, en el mundo, no apenas en nosotros.

ALEX -> Não é bem assim, o portugues do Brasil é sim muito diferente do de Portugal, nossa língua tem desinencias q nenhuma lingua no mundo possui, justamente por ter tdo influencia de várias línghuas, inclusive de linguas africanas e principalmente do tupi. Ao contrário do ingles dos EUA q sofreu alterações, mas não na estrutura da lingua, mas apenas em certos termos!


Jenni
Guest
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11/19/2002
13:56:52
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
Moises,
Estoy de acuerdo contigo al cien por ciento. A veces no importa que diferencias tenemos. Lo que importa es nuestra gente, nuestra cultura y todos nuestros paises tan bellos (especialmente de latino america).

Brasil es un pais con una belleza y cultura inmensa. Sus diferencias y cultura (ya sea con influencia Europea, Indigena o Africana) es lo que hace que sea un pais tan especial.




Alnicom
Guest


11/19/2002
14:20:25
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
Infelizmente nuestro pueblo no tiene respecto a su origem, a su cultura, el pueblo brasileño es muy acomodado, diferente dos otros pueblos latinos que tienem garra!


Alexandre
Guest
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12/01/2002
11:12:08
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
Caros amigos:

Falo da herança portuguesa no Brasil de 500 anos e da herença inglesa na Austrália de 200 anos. Austrália desenvolvida, Brasil subdesenvolvido, logo, ingleses são superiores ao portugueses...
Conversa pra boi dormir!
O que dizer da Africa do Sul, da Guiana Inglesa?
Se não fosse Portugal, o Brasil não seria o que é, este risonho e ensolarado caos. Para os que valorizam a miscigenação de corpos e culturas, este é o legado português. O Brasil está construindo uma nova civilização a partir da confluência de várias culturas e etnias num ambiente desconhecido, tropical. A pesquisa genética em minha cidade, São Luís do Maranhão, demonstrou que um terço da população tem a mitocôndria de suas células de origem indígena, um terço, negra, e um terço, européia. 500 anos é um momento efêmero.
Quanto a Australia, sou ignorante no assunto, alguém poderia ser mais preciso, mas me parece uma extensão da cultura anglo-saxônica na Oceania. Qual a porcentagem de mestiçagem ( de corpos e culturas ) nesta população?
Quanto as condições ambientais, o cerne da economia australiana está localizado em uma região de clima similar à europa, facilitando a colonização.
É mais rápido copiar um quadro de Cézanne, que se tornar um novo Cézanne.
Estamos pintanto o nosso quadro.Calma... E este quadro, ainda cheio de borrões e vazios, já pode ser uma bela fonte de inspiração para paises onde o choque cultural é a regra.
Ah, Portugal, a parcimônia, para o bem e para o mal, marca este país e marca o Brasil. Basta ver as touradas portuguesas...sem sangue.

p.s. é obvio que existem portugueses e brasileiros racistas, sanguinários e intolerantes, mas certamente não caracterizam nenhuma das sociedades.




Lino Goncalves
Guest
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12/03/2002
15:16:14
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
Sou sul-africano de ascendencia portuguesa e nao entendo qual e' o problem de alguns brasileiros em aceitar que grande parte da sua identidade esta ligada a Portugal. Por aqui ninguem anda culpando a Inglaterra ou a Holanda pela vergonhosa historia da segregacao racial ou pelos problems economicos. Afinal ja somos independentes 'a tantos anos que fazer da Inglaterra e Holanda de bodes expiatorios seria ridiculo. Alguns brasileiros esquecem-se que Portugal tambem ja foi vitma de colonialism - por Romandos, Visigods, Arabes, espanhois, etc!
Quanto a lingua - o ingles da Africa do Sul e' tao different do ingles falado nos EUA quando o do Brasil em relacao a Portugal e nem por isso falamos sul-africano. Mas a linguas estao em constante mutacao e nao impossivel que um dia isso venha a acontecer - mas agora na aldeia virtual isso se torne mais dificil. Saudacoes da Africa do Sul.


Down to Earth
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12/03/2002
17:15:25
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
This is almost identical to the American/English debate. But the thing I find hard to understand as Daniel and Lino fairly put it, there seems to be resentment from Brazilians towards the Portuguese. I have heard all kinds of offences directed to the Portuguese the most commonly being that Portuguese are ignorant or stupid. Unlike Americans/Canadians/Australians etc… Brazilians don’t seem to have any consideration for their forefathers and are more interested in their other European roots. I believe that this goes down to the old “colonial” mentality whereby “power”, “social status” and “civilisation” are much more respected than roots and family history. This could also explain some of the social “racism” that goes on in Brazil. Since the Portuguese are now powerless the Brazilians would rather have been colonised by England or Germany. The large ethnic assimilation of the native Indian and African peoples in the Brazilian population, both at the time at the bottom of the social scale make another hard hit on the Brazilian pride. Given that Portugal is not only weaker but that its people are more traditional and have no great ambition for power as well as not having as much academic aspirations as do Brazilians, they make an ideal short-term conscience relievers. Ironically most Portuguese investors or entrepreneurs who set up company in Brazil do very well in the marketplace and Portuguese companies often rival local or international rivals.



Guest


12/03/2002
20:09:00
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
There is no need to get sore on this issue. This thing that brazilians have against portuguese, is because we treat them as if they where already born here in the first place.
Yes, there are some differences between brazilian portuguese, and the one from Portugal, but it is mostly pronounce. I've never seen a portuguese book or film translated to "portuguese" here.

This thing that a new language was born here is just some half-hearted research that has no way up into the academic world.

Bah, I'm gonna finish reading my books from José Saramago...


Alexandre
Guest
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12/04/2002
04:29:16
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
Amiguinhos:

Não são todos os brasileiros que não tem carinho por Portugal... Nem todos gostariam de ser colonizados por ingleses ou germânicos. A comida alemã é horrível e os ingleses paracem não gosta muito de cama ( hehehehe !) A colonização portuguesa possibilitou existir no Brasil uma sociedade mestiça, um aspecto positivo que muitos brasileiros prezam. Creio que a grande maioria dos brasileiros tem muita simpatia pelos portugueses. Se nó fazemos piadas com eles, chamando-os burros," ora pois, ó pá", eles fazem o mesmo conosco!

"Piada de brasileiro

Um viajante brasileiro acabara de chegar a Lisboa, encontrou um português e perguntou:
- Onde posso pegar um táxi?
- Aqui não chamamos de táxi e sim de carro de praça.
- Então, onde encontro um carro de praça?
- Entre na bicha de informações e pergunte.
- O que é bicha?
- Vocês no Brasil chamam de fila.
- Não tenho tempo, tenho de pegar um trem!
- Aqui não chamamos de trem e sim de comboio.
O brasileiro irritado então perguntou:
- Como é que vocês chamam filho da puta aqui em Portugal?
- Não chamamos, eles vêm pela Transbrasil."

Basta ver como Eça de Queirós pintava os brasileiros em suas histórias (sem bem que ele dizia que o acento brasileiro era doce como o açúcar ).


"A polêmica se acirra bruscamente quando Eça torna a caricatura do imperador extensiva ao brasileiro em geral. Seu tipo físico é descrito galhofeiramente como o “figurão barrigudo e bestial dos desenhos facetos” ou “burguês como uma couve”, “tosco como uma acha de lenha”. A acusação mais grave: o brasileiro era covarde e sem caráter porque “vivia de negócios de negro”, ou seja, era escravocrata."

Tantas piadas através do oceano é coisa de família.

Saudações amazônicas!




Patinho
Guest


12/04/2002
22:01:57
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
Maybe it's a little of the cuff, but I think it's a "pride" issue. We all know that one of the best qualities about Brazilians is that they are an extremely proud people.

Let me give an example. When I met my first Brazilian freind, I knew not one word in Portuguese. I was at the time studying Spanish. Every once in a while, while she was speaking Portuguese, I would pick up on a word and she would be amazed at this "gringos ability to pick up her language."
I would explain to her that I knew what it meant and the only reason why, was because Portuguese was so similiar to Spanish.
I often said to her "The only Portuguese I know is Spanish."
This aggravated her to no extent. Infuriated her at times when I pressed the issue. She was so proud of her language that she refused to believe that it could possibly have anything to do with Spanish. Now, we are talking about a very level headed (most of the time), college educated girl here. Not some opinionated idiot.
Back to the point, I will always insist that Portuguese is the sister language of Spanish (please don't throw bricks!), but after 5 years of studying Portuguese, I can easily and cleary see the difference.
On my last trip, we found ourselves with a Portuguese/Spanish dictionary. We looked up several words and she now agrees there was some truth to my theory. But don't tell anyone that or she'll get pissed and deny it!lol


Down to Earth
Guest


12/05/2002
06:49:12
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
Patinho you are right. This is the case with most Latin languages but Spanish in particular because of its similarities with Portuguese, especially in South America. When my partner’s sister was in college, she wanted to learn Portuguese so they first gave her a crash course in Spanish to ease the transition from English to Portuguese and it helped her a lot. I’ve never learned Spanish but since I know Portuguese it really helped me to get by in Spanish situations, o every time I go to Spain I speak “Portunol” which is a mixture of Portuguese and Spanish and I it allowed me to understand more or less everything even if it is far from perfect LOL. So regardless of how proud Brazilians can be, they cannot deny their Latin roots. If it wasn’t for French my written Portuguese would be even more rotten than it already is, but thanks to my parents I was brought up in that language which allowed me to work on my second grade level Portuguese grammar. But anyway, languages are fun to play with and if you can use another one to help you to achieve that, good for you. Look at English; you can’t get a more “made-up” language as that one and thanks to its expansibility it as important today as Latin was during Roman rule.


klept
Guest


12/12/2002
12:40:33
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
Achei esta página por acaso e comecei a lê-la, li depois o artigo em questão e a primeira palavra que me vem à mente é intolerância.

É engraçado que os portugueses entendam perfeitamente os brasileiros mas os brasileiros tenham dificuldade em compreender-nos -- um pouco à semelhança do que acontece com os espanhóis que nós até entendemos bem mas que por sinal eles não entendem patavina do que nós dizemos :D

[Sim, sim, estou a falar do famoso 'portuñol' ;]

Engraçado também é, o facto de eu NUNCA ter ouvido ninguém dizer que os brasileiros falam português incorrectamente. Talvez isso seja cisma dos linguistas brasileiros -- aqui em Portugal, nunca vi ninguém discriminar o dialecto brasileiro. Muito pelo contrário, as pessoas aceitam a pronúncia e até a ortografia brasileira tal como é. Não posso deixar de dizer que mesmo assim me incomoda até certo ponto quando vejo edições brasileiras de, por exemplo, Fernando Pessoa 'transliterado' para a escrita brasileira! Acho que isso é uma profunda falta de respeito... da mesma forma que nunca me passaria pela cabeça comprar um livro do Jorge Amado passado para português de Portugal!

Mais intolerância! -- aparentemente da parte da grande maioria dos brasileiros. O que é pena, porque a grande maioria dos portugueses gosta do povo brasileiro e a própria terra do Brasil ainda exerce um certo fascínio e suscita ternura aos portugueses.

Quando o acordo ortográfico andava pela 'boca do mundo' aqui em Portugal, também nunca ouvi ninguém opôr-se à escrita brasileira de certas palavras; ouvi sim muito gente que não queria ver o português [de Portugal] alterado só para que houvesse uma uniformidade entre os dois dialectos. A impressão que o artigo 'Brazilian spoken here' dá é que Portugal está empenhado em travar a evolução do português do Brasil, o que não é de todo verdade: Portugal não está empenhado em nenhuma 'batalha linguística', pelo menos no que toca ao Brasil. Os tempos do colonialismo já vão idos e a posição de Portugal não é a de país colonizador, mas antes de um parente afastado que quer conhecer melhor a família após uma quebra nas suas relações... daí o facto de recentemente ter surgido um interesse dos investidores portugueses no Brasil e de terem havido algumas trocas culturais entre artistas portugueses e brasileiros.

Saio daqui -- desta página, deste site -- bastante triste por ver que essa ternura que os portugueses ainda têm pelos brasileiros, é mais um caso de amor não correspondido.

De qualquer forma, mando um abraço para esse outro lado do oceano, e espero que as relações entre os nossos dois países se fortaleçam, exactamente porque apesar de tudo ainda temos bastantes coisas em comum e uma delas é a nossa língua. E que apesar de cada dialecto apresentar as suas peculiaridades, de certa forma pode aproximar as duas culturas.

[Ah.... e espero que quem leia estas palavras não precise de usar tradutor ;]


Brazilian
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12/14/2002
10:11:41
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
Community: Strategy readied to promote Portuguese language worldwide


Rio de Janeiro, Dec. 13 (Lusa) - Officials and academics from the Community of Portuguese-speaking Countries (CPLP) Friday readied a series of measures aimed to defend and promote the use of the Portuguese language.

Among steps urged by the CPLP's executive-secretary, João Augusto de Médicis, at the two-day meeting, ending Friday, in Rio de Janeiro are a worldwide census of Portuguese speakers and programs to train translators and interpreters.

Conference participants underlined the lack of a concerted policy to promote use of the language in international forums, despite Portuguese being recognized as a working language by 12 international organizations and blocs.

Current estimates place the number of people living in countries using Portuguese as an official language at about 200 million on four continents, with projections of 336 million by 2050.

Beyond the eight-nation CPLP, other participants at the Rio conference included the Camões Institute, the cultural arm of the Lisbon government, and the Cape Verde-headquartered International Institute of the Portuguese Language (IILP).

SOURCE: ALS/SAS -Lusa-




Brazilian
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12/14/2002
10:18:43
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
Representantes da CPLP podem dar passo decisivo para atuação do IILP


Rio de Janeiro, 13 Dez (Lusa) - Representantes de países da língua portuguesa reunidos na capital carioca poderão, nesta sexta-feira, dar um passo decisivo para implementar a atuação do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP).

Eles devem aprovar hoje um documento sintético que prevê uma proposta de agenda mínima de ações, proposta pelo secretário- executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), embaixador João Augusto de Médicis. Ele defende uma "agenda mínima, atrelada a um prazo mínimo e com instrumento de ação" que será apresentada para avaliação da diretoria-executiva do instituto.

Uma das idéias discutidas durante o seminário de políticas de divulgação da língua portuguesa e incluídas no texto inicial que será discutido hoje entre os participantes é a criação do Observatório da Língua Portuguesa, voltado para identificar como o português é tratado e visto em outros países.

Outro tema é que o IILP realize o levantamento das decisões aprovadas nas reuniões setoriais da CPLP sobre ensino, promoção e difusão da língua portuguesa. Há ainda outra vertente sugerida é que o IILP funcione como uma estrutura "supranacional", para atuar em coordenação com as estruturas já existentes de difusão e promoção da língua portuguesa, se beneficiando de ações e informações.

A preocupação principal dos participantes é evitar que o IILP, criado a 13 anos, como um braço da CPLP com a missão de trabalhar pela defesa e divulgação da língua portuguesa, saia efetivamente do papel, deixando de ser apenas uma "mero repositário de documentos".

Na avaliação de Jorge Alfama, assistente da diretora- executiva do IILP, Ondina Ferreira, a sistematização dessas propostas já é "muito positiva". A mesma avaliação é de representantes do governo brasileiro, que assumiu a missão, com os demais integrantes da comunidade de língua portuguesa, de tentar implementar a atuação do instituto.

As propostas aprovadas hoje deverão ser submetidas pela direção-executiva, que fica em Cabo Verde, aos membros da Assembléia do instituto para uma eventual aprovação de um plano de atividades.

O próximo passo é a apresentação desse documento na segunda Assembléia-Geral do IILP marcada para o primeiro trimestre de 2003.

SOURCE: ALS.




Brazilian
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12/14/2002
10:21:38
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
Seminário da CPLP no Rio de Janeiro discute divulgação da língua portuguesa


O levantamento demográfico dos falantes da língua portuguesa e a formação de tradutores-intérpretes são algumas das acções que podem contribuir para a difusão do português no mundo, defendeu hoje o secretário executivo da CPLP.

João Augusto de Médicis apresentou estas propostas durante o seminário sobre políticas de divulgação da língua portuguesa, que começou hoje no Rio de Janeiro, numa iniciativa do Departamento Cultural e de Divulgação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

A estimativa, somando-se sobretudo as populações dos oito países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), é que aproximadamente 200 milhões de pessoas falam o português no mundo.

"Mas há imprecisão de dados e precisamos de informações concretas para delinear acções", afirmou o secretário executivo, acrescentando que esse trabalho, especialmente o censo, serviria de base para nortear actividades futuras da CPLP e do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).

Medicis é favorável também à criação de certificados da língua portuguesa, semelhantes aos emitidos, por exemplo, em relação ao inglês, para as pessoas que dominam o idioma.

Source: Lusa/Fim




Brazilian
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12/14/2002
10:25:21
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
Seminário no Rio discute divulgação da língua portuguesa


Rio de Janeiro, 12 Dez (Lusa) - O levantamento demográfico dos falantes da língua portuguesa e a formação de tradutores-intérpretes são algumas das ações que podem contribuir para difusão português no mundo.

Essas propostas foram apresentadas pelo embaixador João Augusto de Médicis, secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no seminário sobre políticas de divulgação da língua portuguesa, que começou hoje no Rio de Janeiro, numa iniciativa do Departamento Cultural e de Divulgação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

A estimativa, somando-se sobretudo as populaç¸es dos oito países que integram a CPLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) é que aproximadamente 200 milhões de pessoas falam o português no mundo.

"Mas há imprecisão de dados e precisamos de informações concretas para delinear ações ", afirmou o secretário-executivo ao acrescentar que esse trabalho, especialmente, o censo, serviria de base para nortear atividades futuras da CPLP e do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).

Ele é favorável também a criação de certificados da língua portuguesa, semelhante ao que é emitido em relação, por exemplo, ao inglês, para as pessoas que dominam o idioma.

Em sua opinião, é preciso se ter consciência que o português pode ser um instrumento de trabalho, de transmissão de cultura, de tecnologia, de intercõmbio econômico, financeiro, comercial. Em 12 organismos internacionais, o português é reconhecido como língua oficial de trabalho - como na SADC - Comunidade Econômica da África Austral para o Desnvolvimento, na UE- União Européia, e na UA- União Africana - mas a falta de tradutores com domínio do português é um obstáculo a maior utilização desse idioma nas conversações multilaterais. Apesar de ser a sexta língua mais falada no mundo, presente em quatro continentes ( África, Ásia, Américas e Europa) , a língua portuguesa não tem uma política de difusão no cenário mundial.

"Se não fizermos nada, vamos andar para trás", afirmou Francisco Nuno Ramos, diretor de Serviços de Língua Portuguesa e Intercâmbio Cultural do Instituto Camões, de Portugal.

Para ele, a reunião do Rio de Janeiro é primordial e até histórica no sentido de se buscar ultrapassar as dificuldades de cada país e buscar delinear aç¸es para se promover um patrimônio comum, que é a língua. Apesar da falta de estratégias, o português se disseminou por diferentes partes do mundo, o que evidencia ser uma língua de cultura e não apenas um instrumento de comunicação. Enquanto, segundo ele, o idioma inglês apresenta um nível estável de crescimento, o nível de interesse pelo português tem crescido de forma ascendente. A projeção apresentada por ele é que em 2050 serão 336,22 milhões de falantes do português, com base na evolução da população dos oito países.

"Há esse potencial porque tem haver com disseminação de valores", destacou.

Participam do evento representantes de quatro países - Portugal, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Cabo Verde, além do Brasil, que integram a CPLP. Estão participando também o Instituto Camões de Portugal e o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP). No entanto, a diretora-executiva desse órgão, Ondina Ferreira, e a presidente da Assembléia, Ana Henriques, não vieram para o evento sendo representados por Jorge Alfama, assistente da diretoria-executiva O IIPL é considerado o berço da CPLP, mas treze anos após sua criação, ainda não conseguiu avançar em sua principal meta como o "poderoso instrumento de difusão do português", que continua frágil e sem projetos que beneficiem os cidadãos. Há carência de recursos para sua atuação mais efetiva. Angola, Timor Leste não enviaram representantes e o de Moçambique chega nesta sexta-feira, quando se encerra o evento.

ALS.

Source: Lusa/Fim.




Brazilian
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12/14/2002
10:27:17
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Brasil e Portugal com actividades conjuntas nos centros de língua


Por Ana Lúcia Schettino da Agência Lusa.

Rio de Janeiro, 13 Dez (Lusa) - O desenvolvimento de iniciativas conjuntas para a defesa e divulgação da língua portuguesa poderá marcar uma nova etapa no relacionamento entre Brasil e Portugal.

Os dois países vão, numa experiência inicial, elaborar um plano de atividades conjuntas em relação aos centros de língua portuguesa que ambos mantêm em Buenos Aires, na Argentina.

Segundo o ministro Luiz Fernando Ligiéro, diretor- geral do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, já há uma vontade política expressa, que agora ganha o esforço operacional.

Em setembro de 2001, os dois países assinaram um convênio visando o desenvolvimento de ações para promover a língua portuguesa no exterior.

"É uma atitude inovadora entre os dois países na maneira de cooperar", ressaltou o diretor do Instituto Camões, Francisco Nuno Ramos, da direção de Serviços de Língua Portuguesa e Intercâmbio Cultural.

A proposta é ampliar a cooperação bilateral com a convergência de atividades e o desenvolvimento de estratégias regionais concertadas. Isso significa uma maior articulação entre os centros de língua portuguesa, do Instituto Camões, e os centros de estudos brasileiros presentes em terceiros países.

Se uma das partes não dispuser de instalações culturais próprias, em outros países, irá se beneficiar do apoio da outra parte para viabilizar difusão de conteúdos culturais, artísticos e científicos, seja na variante brasileira ou portuguesa. O que certamente, ressaltam os representantes dos dois países, vai racionalizar estruturas, meios e custos.

Portugal conta com 21 centros culturais espalhados no exterior. A rede brasileira está baseada 14 centros de estudos; 09 institutos culturais, 10 escolas bilíngües e cursos de português entre outras iniciativas.

Uma das ações iniciais será a realização de um curso de formação de professores da língua portuguesa em território argentino.

Na avaliação dos dois representantes, esse fortalecimento do relacionamento bilateral poderá, gradualmente, trazer reflexos significativos, dando maior dinamismo à consertação entre os países da comunidade de língua portuguesa.

"Quem sabe, numa etapa posterior, poderemos estender essa forma de cooperação aos demais países", avalia Francisco Ramos, que veio ao Rio de Janeiro participar do seminário sobre políticas de divulgação da língua portuguesa.

Apesar de ter um caráter informal, o evento terminou hoje com a aprovação de uma sugestão de agenda mínima para a atuação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).

Para representante do instituto, Jorge Alfama, o resultado desse encontro foi extremamente positivo. É que apesar de 13 anos de existência, o IILP ainda não saiu efetivamente do papel, deixando de cumprir sua missão como braço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a divulgação da língua portuguesa.

Entre as sugestões aprovadas estão que o instituto concentre esforços para a elaboração de um projeto de Observatório da Língua Portuguesa e o levantamento de informações sobre as atividades dos Estados-membros voltadas para a promoção e difusão da língua portuguesa.

Essas sugestões, no entanto, serão submetidas à direção-executiva para posterior elaboração de um documento final a ser apresentado na segunda assembléia-geral do IILP, previsto para o primeiro trimestre de 2003.

Na avaliação de fontes diplomáticas, há uma grande possibilidade dessas sugestões serem aprovadas pela direção-executiva em virtude dos consensos que embasaram o texto, que ainda tem o caráter informal Os participantes do seminário - Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe - estiveram ausentes Angoal e Timor Leste - reiteiram ainda a necessidade dos países signitários do acordo ortográfico, que ainda não ratificaram, o façam no mais breve prazo possível.

Outra solicitação aprovada foi também em relação ao pagamento de quotas de contribuição ao IILP. Cada um dos países da comunidade contribuem com US$ 20 mil, valor que começou a ser cobrado neste ano. Cabo Verde e Angola já pagaram e o Brasil, segundo o ministro Ligiéro, efetuará o pagamento na próxima semana.

ALS.

Source: Lusa/Fim




Fernando B
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12/21/2002
18:30:56
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
Sou Brasileiro nascido no Rio de Janeiro,
a língua que falamos é o Português, não é a língua Brasileira. A língua ensinada nas escolas é o Português. Devido ao baixo nível do nosso ensino fala-se e escreve-se errado, vide a prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). A nossa língua vem caindo de geracão em geracão. Penso que isso é devido a falta de leitura de uma maneira geral. Olha só:

Essas pérolas fazem parte das redações dos estudantes que participaram este ano (2002) do ENEM...
"Já está muito de difícil de achar os pandas na Amazônia."
(Que pena. Também ursos e elefantes sumiram de lá.)

"A natureza brasileira só tem 500 anos e já está quase se acabando."
(Foi trazida nas caravelas, certo?)

"O cerumano no mesmo tempo que constrói também destrói, pois nos temos que nos unir para realizarmos parcerias juntos."
(Não conte comigo!)

"Na verdade, nem todo desmatamento é tão ruim. Por exemplo, o do Aeds Egipte seria um bom benefício para o Brasil"
(Vamos trocar o fumacê pelas moto-serras!)

"Vamos mostrar que somos semelhantemente iguais uns aos outros".
(Com algumas diferenças básicas...)

"...eles matam não somente os animais mas também os matança de aves peixes também precisam acabar... os pequenos animalzinhos morrem
queimados e asfixados.."
(Pelo menos esse tem bom coração.)

"Hoje endia a natureza..."
(Muito bem! não usou m, e sim n, porque m só antes de p e b, não é
mesmo!)

"No paíz enque vivemos, os problemas cerrevelam..."
(Outro erro acertado, usou 2 erres. Muito bem!)

"...menos desmatamentos, mais florestas arborizadas."
(Concordo! De florestas não arborizadas, basta o Saara!)

"...provocando assim a desolação de grandes expécies raras."
(Vocês não sabiam que os animais também tem depressão?)

"Nesta terra ensi plantando tudo dá."
(Isto deve ser o português arcaico que Caminha escrevia...)

"Isso tudo é devido ao raios ultra-violentos que recebemos todo dia."
(Meu Deus... Haja pára-raio!)

"Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dourado."
(Quem teria sido o fabricante? Compaq ? Apple ? IBM?)

"Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu, o verde representa as matas, e o amarelo o ouro. O ouro já foi roubado e as matas estão quase se indo. No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira."
(Ainda bem que temos aquela faixinha onde está escrito "Ordem e Progresso")

"Ultimamente não se fala em outro assunto anonser sobre o araras azuls que ficavam sob voando as matas."
(Talvez por terem complexo de Urubus!)

"...são formados pelas bacias esferográficas."
(Imaginem as bacias da BIC...)

"Eu concordo em gênero e número igual."
(Eu discordo!)

"Os homens brasileiros, estão acabando com tudo, as árvores para desmartar para fazer tauba e outra coisa."
(Alguém aí sabe o que é tauba?)

"Precisa-se começar uma reciclagem mental dos humanos, fazer uma verdadeira lavagem celebral em relação ao desmatamento, poluição e depredação de si próprio."
(Concordo: depredação de si mesmo é "oríveu".)

"O seringueiro tira borracha das árvores, mas não nunca derubam as seringas.."
(Estas podem ser derrubadas porque são descartáveis.)

"A concentização é um fato esperançoso para todo o território mundial.."
(Haja Fé!)

"Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós mesmos."
(Que pérola!)

"O sero mano tem uma missão..."
(A minha por exemplo, é ter que ler isso!)

"O Euninho já provoca secas e enchentes calamitosas..."
(Levei uns minutos para sacar o 'Euninho'. Deve ser irmao do Tuninho...)

"Até a Xuxa hoje em dia se prelcupa com a situação dos animais"
(É por causa da globalização.)

"Na Amazonas está sendo a maior derrubagem e extração de madeira do Brasil.."
(A culpa é dos carregadores.)

"O problema ainda é maior se tratando da camada Diozônio!"
(Gente, eu não sabia que a camada tinha esse nome bonito)

"Enquanto isso os zoutros .... tudo baixo nive..."
(Seja sempre você mesmo.)

"A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destróem a Mata Atlântica da região."
(E além de tudo, viajam pra caramba, hein?)

"O que é de interesse coletivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente."
(Entendeu...?)

"Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele."
(Faz sentido.)

"O grande problema da Rio Amazonas é o pesca dos peixes."
(Achei que fosse a pesca dos pássaros.)

"É um problema de muita gravidez."
(Com certeza!.... Se seu pai usasse camisinha não leríamos isso!)



Rafael Costa
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12/23/2002
20:53:38
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
"klept"

Meu nome é Rafael, tenho 16 anos, e entrei neste site por acaso.... (como muitos aqui pelo visto) Sua mensagem me chamou atenção.

Pouco sei sobre o assunto em questão, mas percebo que a relação entre brasileiros e portugueses parece estar cada vez melhor. A intercultura parece estar sendo cada vez mais estimulada.

Por exemplo, atores portugueses estão atuando em novelas aqui no Brasil. Atualmente, na novela "Sabor da Paixão", exibida pela Rede Globo de Televisão, pelo menos 2 atores portugueses estão atuando (desculpe-me pela desinformação, já que nem os nomes dos mesmos eu sei). A novela mantém laços constantes com Portugal. Confesso que tenho muita dificuldade para entender quando esses atores falam, devido à velocidade com que o fazem...

Se não estiver enganado há também portugueses na novela "Esperança". Esses exemplos podem não parecer importantes, mas são. As novelas da Globo são assistidas em cada canto do Brasil pela maioria da população... Assim, os brasileiros convivem todos os dias com esses atores, falando com esse sotaque tão característico dos portugueses. Acho uma importante (embora tímida) aproximação dos brasileiros com a cultura portuguesa. Sei também de inúmeros brasileiros que são amados e muito bem recebidos em Portugal... mas o que está em questão aqui é como os portugeses são recebidos pelos brasileiros.

De fato, pelo Brasil abrigar uma enorme quantidade de pobres, desinformados e analfabetos (pelos quais não culpamos a colonização portuguesa, e sim a corrupção e a incompetência dos políticos brasileiros. Embora saibamos que a colonização foi desrespeitosa e agressiva, sabemos que o Brasil teve tempo e chances sufucientes para ser um país melhor, e não o fez pela estupidez e ganância de poucos poderosos daqui) tudo o que muitos brasileiros conhecem de Portugal são as piadas sobre portugueses brasileiras... o que é realmente uma pena. Vamos esperar que este cenário mude...

Mas acho que os portugueses sabem muito bem que estas piadas não revelam hostilidade do Brasil em relação a Portugal em hipótese alguma.

Os povos brasileiro e português são irmãos. E não é verdade que o Brasil quer se desligar desses irmãos... assim como não quer se desligar de seus irmão africanos, europeus, asiáticos e americanos.

E é isso que mais caracteriza o povo brasileiro. A diversidade de culturas e povos...
Por isso mesmo, é besteira se alguém quer definir uma cultura somente brasileira, ou uma língua, já que o Brasil não é só um povo. O povo brasileiro é o resultado de todos os povos do planeta juntos, contribuindo com uma pequena parte de suas culturas, em harmonia...; e falando português..!




zzzzzzz
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12/24/2002
13:12:12
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:

Não tenho nada contra Portugal, mas acho que depois q eles entraram na UE ficaram um pouco arrogantes.

Hoje em dia pe normal brasileiros sofrerem preconceito em Portugal...

Os portugueses reclamam da imigração brasileira, mas se esquecem de quantos deles vieram pra cá, e hoje em dia o Brasil tem 173 milhões de habitantes e menos de 100 mil vivem em Portugal...Enquanto Portugal tem uns 13 milhões de habitantes e 500 mil deles vivendo no Brasil.

Acredito que a mais forte união seja a da lingua mesmo, pq culturalmente já são países distintos.

O Brasil primeiramente recebeu influências dos indios e das pessoas que vieram pra pra cá....italianos, alemães, libaneses, japoneses, espanhois, angolanos entre outros...depois foi muito influenciado pelos costumes franceses e hoje em dia a influência é mais americana.

Tudo isso misturado com o ambiente diferente que nós vivemos fez com que a cultura ficasse muito diferente.

Não acredito que em nenhum outro lugar do mundo exista uma cultura tão misturada como a do Brasil, nos EUA também existe uma mistura mas acredito que não seja assim tão forte pq lá as comunidades são mais fechadas.

Hoje em dia Brasil e Portugal estão se reatando culturalmente e economicamente mas mesmo assim não quer dizer que sejam países parecidos.

E mais outra coisa, aquele teste do ENEM não mostra a ignorância das pessoas em relação ao português, mas sim a ignorância em assuntos gerais. Alguém que pensa q exista panda na amazônia pode ter conhecimento em português mas já em outros assunto é um ignorante.


Fernando B
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12/26/2002
14:20:53
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
concordo que haja falta de cultura mas preste atencão em como o Português é escrito! Acho que mais leitura faria milagres com o Português escrito e por tabelinha com a cultura.


Anonymous
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12/27/2002
06:34:50
RE: Que língua fala o brasileiro?
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Message:
Desculpem o tamanho, mais acho que vale a pena ler tudo...

ENSINO DA LÍNGUA EM CONTEXTO DE MUDANÇA

Maria Eugênia Lamoglia Duarte (UFRJ)



Gostaria de começar esta conferência com um esclarecimento sobre seu próprio título, cuja primeira parte se refere ao “ensino da língua” propositalmente sem o adjetivo materna, que em geral vem acompanhando esse sintagma. Com isso espero deixar claro que quando nos referimos a ensino da língua creio estarmos nos referindo à língua oficial que aprendemos na escola, geralmente e infelizmente “a duras penas”, tendo que lidar com regras e conceitos muitas vezes sem qualquer sentido, que nem sempre conseguimos aplicar. Não me refiro, pois, àquela variedade que adquirimos desde os primeiros meses de idade, a partir dos dados que nos são fornecidos pelos familiares e outras pessoas que nos cercam, num processo natural, que não depende da ação da escola e que já está concluído aos seis, sete anos de idade, não constituindo privilégio daqueles que têm acesso à escola. Esta sim é para mim a língua materna.

Feita essa distinção, passemos a lembrar a natural distância que separa língua oral e língua escrita, a primeira em constante evolução, a segunda, por seu próprio caráter convencional, mais conservadora. Parece, no entanto, que essa distância, no que se refere ao português do Brasil, é mais profunda. Isso fica patente, por exemplo, quando se vai ensinar português para estrangeiros. Já na primeira lição, o professor encontra problemas com as estruturas com o verbo ‘haver’, por exemplo. Ele ensina que o que a gramática diz é que “o certo” é: ‘há muita gente no jardim’, mas diz ao aluno que ele vai ouvir e falar ‘tem muita gente no jardim’. Ensina que “o certo” é ‘você foi ao cinema?’, mas que ele vai ouvir ‘você foi no cinema?’. Ensina que escrevemos/deveríamos escrever ‘nós não a vimos ontem’, mas falamos/ouvimos ‘a gente não viu ela ontem’. Ensina que a gramática prescreve ‘Contaram-me uma história’, mas ele vai ouvir ‘Me contaram uma história’. E nós poderíamos continuar com uma lista interminável de exemplos.

Afinal, essas diferenças são freqüentes em todos os sistemas quando se opõe língua oral à escrita? Se tomarmos o português europeu atual, a resposta será “Não”. Quando se analisa uma amostra do português europeu coloquial, o que se encontra são variações no nível da concordância e da regência, por exemplo, mas está lá o uso do verbo haver existencial, estão lá as ocorrências de próclise com elementos atratores e as ênclises sem atratores, independentemente do nível de escolaridade do indivíduo. E por que o mesmo não se dá aqui? Porque o modelo de norma culta que tomamos era diferente do português efetivamente usado no Brasil. Falemos um pouco de como se constituiu a norma culta entre nós e vejamos por que se criou esse abismo entre o que se fala e o que se ensina (e nem sempre se aprende) na escola brasileira.

Para tanto, eu tomo aqui brevemente as considerações de Pagotto (1998), que nos lembra que a norma culta escrita no Brasil se estabeleceu no decorrer da segunda metade do século passado e se fixou na primeira metade deste século, à imagem e semelhança da norma vigente em Portugal, numa tentativa de uma elite intelectual se manter em oposição aos demais segmentos da população iletrada. Desta forma, à medida que o Brasil se tornava politicamente independente de Portugal, um movimento de dependência cultural tomava força, no sentido de imitar os padrões portugueses. Acontece que o português europeu, ao contrário do brasileiro, passara nos séculos anteriores (particularmente no século XVIII) por um processo de mudança fonológica, com inúmeras conseqüências para a sintaxe.

Uma dessas mudanças se refere ao fato de que a fala portuguesa passou a privilegiar a ênclise, isto é, seus pronomes átonos começaram a se cliticizar da direita para a esquerda, e o português do Brasil teve que se ajustar a um padrão que não era absolutamente o seu. Em outras palavras, nós brasileiros, que não tínhamos sido protagonistas desse processo (uma vez que quem mudou foram eles, não nós!) passamos a ter que obedecer à norma de não começar frase com pronome. Vem daí a clássica história da colocação dos pronomes átonos, a principal bandeira da norma culta no Brasil. E o discurso que se desenvolveu ao longo de toda a primeira metade deste século foi aquele discurso da condescendência, segundo o qual na fala informal, “tudo bem usar a próclise sem atrator”, mas na escrita, “é de rigor”, “impõe-se” a ênclise. Algumas gramáticas chegam a afirmar até que a ênclise é a posição natural dos pronomes em português. Alguns chegam a dizer que o hábito de usar a próclise faz parte da índole dócil do brasileiro em oposição à rispidez do europeu (como se o ladrão que diz ‘me passa o dinheiro’, iniciando a frase com pronome mostrasse alguma docilidade).

Em conseqüência disso, há um abismo entre língua oral e escrita, o que favorece a existência de uma indústria lucrativa do certo e do errado, do “pode” e “não pode”, contribuindo para aumentar um preconceito lingüístico absolutamente irracional. Um dos agentes mais atuantes dessa onda normativista que assola o país (plagiando, com algumas alterações, Stanislau Ponte Preta) chegou a dizer, numa entrevista, que foi ao Maranhão porque tinha ouvido dizer que lá se falava um “bom” português. Vejamos o que ele diz:

Certa vez fui ao Maranhão porque me disseram que lá se falava um português menos contaminado. Pura lenda. Acho que, no cômputo geral, o carioca é o que se expressa melhor sob a ótica da norma culta. Ele não come o “s” quando usa o plural, utiliza os pronomes com mais propriedade, não erra tanto nas concordâncias e tem uma linguagem mais criativa. (Entrevista de Pasquale Cipro Neto a VEJA de 10.09.97)

As palavras do professor mostram que ele é o produto exato dessa cultura preconceituosa que se constituiu ao longo da primeira metade do século XX. Isso se vê no uso do termo “contaminado”, mostrando que ele ignora que todo sistema lingüístico é essencialmente variável; isso se vê nas avaliações sem qualquer fundamento teórico, quando por exemplo ele diz que o carioca não “come” o “s”, quando nós sabemos que todos nós “comemos” o “s”, uns mais outros menos. Aliás, os trabalhos pioneiros sobre a queda do -s como marcador de plural foram feitos por Marta Scherre, com base justamente na fala de cariocas. Quanto ao fato de o carioca ter “uma linguagem mais criativa”, é difícil saber o que isso significa: como é possível ser criativo e se expressar melhor sob a ótica da norma culta ao mesmo tempo, como quer o tal professor? Aliás, uma coisa que esse senhor parece não saber é que o Brasil, de norte a sul, de leste a oeste, tem uma surpreendente unidade no que se refere à sintaxe. (Mas vejam bem, unidade não significa uniformidade!) Trabalhos realizados em universidades por todo o país têm revelado essa unidade. As diferenças mais notáveis se situam no campo da fonética e do léxico.

A essa altura, os que me ouvem devem estar se perguntando: mas o que tem isso a ver com o tema em discussão? Ou ainda: devemos agora pregar uma espécie de desobediência lingüística, uma revolta contra a norma culta estabelecida? Naturalmente que não. Se eu lembro esses fatos é porque estou falando para colegas e para futuros professores de língua portuguesa, que não podem deixar de ter em mente as razões dessa distância enorme que separa a escrita padrão do uso da língua entre nós. Assim, o ensino da língua portuguesa na escola - que na minha opinião é erroneamente chamado de ensino de língua materna, repito, já que a língua materna, essa o aluno quando chega à escola já adquiriu sem dor - o ensino de língua portuguesa oficial deve ser feito com os cuidados semelhantes aos utilizados no ensino de uma segunda língua, deixando claro ao aluno que se trata de uma modalidade diferente da que ele habitualmente usa e que se presta justamente à escrita e, em raras ocasiões, à fala.

E isso nos leva a uma outra questão: qual é afinal a língua escrita padrão no Brasil hoje? A gramática normativa retrata com fidelidade os fatos dessa modalidade? Uma confrontação entre os resultados das pesquisas que temos realizado e uma observação da escrita padrão sugere que a distância entre o que se fala e o que se escreve nos jornais e revistas de circulação nacional é grande, mas não tão grande quanto mostram nossas gramáticas. Muitas daquelas observações feitas por alguns gramáticos em notas de rodapé, como sendo ocasionais “desvios” cometidos pelos “incuráveis” brasileiros, são hoje a norma. À medida que novas gerações de escritores e jornalistas vêm surgindo, usos nacionais vão se sobrepondo aos lusitanos num processo que é lento, claro, mas que vai ganhando terreno. Como diz o Professor Bechara (1999:567), há fenômenos ainda não aceitos pelos gramáticos “apesar da insistência com que penetram na linguagem das pessoas cultas”.

Observem, por exemplo, os trechos a seguir, extraídos da língua padrão veiculada em jornais e revistas de circulação nacional. Comecemos pelos casos de regência verbal. Qualquer observador atento verá que há uma variação muito grande no uso do verbo assistir, ora com complemento regido de preposição ora como transitivo direto, aparecendo na passiva ou com seu complemento representado pelo clítico acusativo:

Assista a um filme como ele deve ser assistido (Anúncio em VEJA, 31.05.2000)

Malhação é daqueles programas de televisão que deveriam exibir, antes de cada capítulo, uma mensagem do Ministério da saúde advertindo que ele faz mal à saúde. Mas, sinceramente, assisti-lo nestes dias vale qualquer risco. Afinal, quando o espectador terá a oportunidade de ver novamente, na mesma cena, estes dois gigantes da arte de representar que são Alexandre Frota e Luciano Szafir. (Xexéo, JB, 14.05.99)

Freqüentemente o contrário acontece: verbos transitivos diretos aparecem com um clítico dativo, como ilustram os exemplos a seguir, em que o autor, ao retransmitir mensagens de leitores, passa por um desses usos sem perceber e na mesma coluna lhe faz uma crítica:

“Meu caríssimo Xexéo, há quanto tempo não lhe azucrino..." Começava assim um dos e-mails desta semana. Leitor nunca azucrina. (Xexéo, JB, 7.4.99)

“Existe alguma razão evidente para o personagem de José Wilker usar o pronome lhe indevidamente? São exemplos recentes: Eu lhe amo, eu lhe encontrei." A leitora tem razão. E Aguinaldo Silva prometeu que nessa novela todo mundo ia falar corretamente. Mas personagem nordestino de novela da Globo sempre fala eu lhe amo. Sabe-se lá por quê. (JB, 7.4.99)

É claro que nós sabemos por quê. Nosso sistema de pronomes clíticos vem passando por um longo processo de mudanças há já bastante tempo. Alguns chegam a estar praticamente ausentes da língua oral, como o acusativo e o dativo de terceira pessoa (“o” e “lhe”), este último resistindo na segunda pessoa, possivelmente para evitar o “te”, talvez por cerimônia.

Ainda ilustrando essa instabilidade na regência de certos verbos, temos o exemplo a seguir, em que o autor, a propósito dono de um estilo muito formal, no mesmo parágrafo usa o verbo implicar com duas regências:

Uma mudança no formato dos jornais implica obrigatoriamente em uma mudança de concepção. E dada a preferência que a nossa imprensa mimetizou da TV, implicará uma alteração de teor. (Alberto Dines, JB, 10.07.99)

Com relação à ordem dos clíticos, parece que estamos passando por um momento muito especial. Se por um lado a próclise em início absoluto de oração já começa a vencer todas as bravas resistências, por outro temos observado uma ocorrência de ênclise nos contextos em que se esperaria a próclise, contrariando o uso habitual no Brasil. Seria a vitória da insistência do ensino normativo?

Antes que o prezado amigo ou a encantadora senhora peguem da pena para escrever uma carta fulminando minha ignorância, me apresso a dizer que a palavra passarídeo não existe, embora eu ache que devia existir. É como borboletáceo, criação famosa de um vestibulando de Medicina, em Salvador, nos mitológicos tempos em que os vestibulares não eram unificados e faziam-se provas orais. (J. Ubaldo Ribeiro, 2000:95)

Ninguém deu-se ao trabalho de examinar o papel do Tribunal de Contas nesse ou em outros descalabros. Ninguém lembrou-se de juntar o caso à deplorável situação do Judiciário... (Dines, JB, 05.08.2000)

O que esses dados sugerem é que a norma culta não é uniforme, que a língua escrita também é variável, embora em menor escala que a oral, porque ela é produzida por seres vivos, que adquirem sua linguagem nas mesmas condições que os não escritores e, por mais que tentem seguir uma norma presumível, que consta dos manuais de redação, acabam por se “trair” em algum momento. Na realidade, pode mesmo se tratar de uma questão de sensibilidade do escritor/jornalista para a realidade lingüística de seu país. Caso ele não mude, corre o risco de não ser entendido. A esse propósito, eu vou citar aqui um trecho de Graciliano Ramos, já bastante conhecido de todos mas bem ilustrativo:

“Eu não lia direito, mas arfando penosamente conseguia mastigar os conceitos sisudos: ‘A preguiça é a chave da pobreza’ - ‘Quem não ouve conselhos raras vezes acerta’ - ‘Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém’.

Esse Terteão para mim era um homem, e não pude saber que fazia ele na página final da carta. As outras folhas se desprendiam, restavam-me as linhas em negrito, resumo da ciência anunciada por meu pai.

- Mocinha, quem é o Terteão?”

Hoje dificilmente encontramos a mesóclise na mídia impressa, ficando suas ocorrências mais limitadas a alguns textos acadêmicos (apesar de nossas gramáticas a considerarem “de rigor” quando o verbo se encontra no futuro e não há um “atrator”). Mesmo ensaístas e cronistas, dos mais formais aos mais informais, costumam evitá-la:

Pare-se um pouco para pensar e se verificará que esse imposto está menos destinado a melhorar a saúde dos pacientes do que a do bolso dos donos de hospital. (Toledo, Veja, 19.06.96)

Talvez conseguissem que suas barrigas roncassem em uníssono. Mas aí, lhes faltaria a retórica. (Veríssimo, JB,27.04.96)

E o interessante é que os que tentam a todo custo seguir essa norma idealizada relativa à “colocação” pronominal acabam “cometendo” hipercorreções, como é o caso dos exemplos em que há ênclise apesar de aparecer um atrator.

Além de mostrar que a língua escrita é variável, os dados aqui exibidos revelam ainda que nós não temos uma descrição eficaz e realista da norma culta escrita. Poucos são os corajosos que assumem a realidade da mudança lingüística e deixam de atribuir as diferenças entre a norma culta brasileira e a européia a uma mera questão de estilo formal versus informal. E, enquanto esses fatos não forem registrados por nossas gramáticas, a partir dos dados da escrita padrão, os professores continuarão a se sentir entre a “cruz e a espada”, e, com receio dos concursos e vestibulares, vão acabar por ignorar o uso efetivo em favor de um uso idealizado.

Eu gostaria de ilustrar a falta de sintonia entre a descrição gramatical e o fato lingüístico com a questão do clítico acusativo de terceira pessoa, o nosso pronome oblíquo átono o. São inúmeros os trabalhos centrados na língua oral que mostram estar esse clítico em franco processo de extinção, sendo substituído pelo pronome pessoal do caso reto, pelo próprio Sintagma Nominal repetido ou simplesmente por uma posição vazia, a que se tem chamado de objeto nulo. Assim, num comentário sobre a Maria, teríamos com maior probabilidade uma resposta como (b), (c), (d), em vez de (a):

(a) Eu não a vejo há muito tempo.

(b) Eu não vejo ela há muito tempo.

(c) Eu não vejo a Maria / essa menina há muito tempo.

(d) Eu não vejo - há muito tempo.

Observem que em (d), o verbo não muda sua transitividade. O ouvinte interpreta a sentença preenchendo a posição do objeto com o antecedente no contexto discursivo. Qualquer falante do inglês, francês, italiano ou espanhol aqui presente sabe que isso não ocorre nessas línguas, que devem obrigatoriamente preencher a posição do objeto. E eu devo dizer que, embora possível no português europeu, essa construção em (d) é bastante marginal e só ocorre em contextos sintáticos iniciais, nunca em contextos subordinados. A construção em (b) igualmente não aparece no português europeu. Agora observem os resultados de trabalhos sobre a representação do objeto direto anafórico no português falado em várias partes do Brasil:



Realizações do objeto direto anafórico em pesquisas sobre língua oral

(tabela adaptada de Averbug, 2000)

Observe-se que o índice mais alto de uso do clítico acusativo é de 5%. Em todas as amostras analisadas, o objeto nulo é a forma preferencial para a representação do objeto direto anafórico. Faltam-nos, é claro, pesquisas sobre outras regiões do Brasil, mas pode-se dizer que uma criança adquirindo a linguagem nessas regiões pesquisadas não terá entre os dados a que é exposta para construir sua gramática a presença do clítico acusativo. Ao contrário de uma criança portuguesa, que ouve clíticos em profusão e os adquire naturalmente, a criança brasileira não adquire o clítico acusativo de terceira pessoa. Ela vai aprender a usá-lo durante o processo de escolarização e, a julgar pelos dados da tabela acima, vai limitar seu uso à escrita ou à fala muito formal.

É exatamente isso que mostra Corrêa (1991), cuja pesquisa revela que o aparecimento do clítico acusativo de terceira pessoa se dá primeiro na escrita para só então começar a surgir na fala. E como se dá essa recuperação do clítico acusativo pela escola? O trabalho de Averbug (2000) é revelador. Numa pesquisa baseada em textos produzidos por alunos de séries finais, desde o CA até a Universidade, a autora revela que, à medida que o nível de escolaridade sobe, cresce o uso do clítico acusativo e cai o uso do pronome pessoal do caso reto (nominativo). Observem-se os resultados no gráfico a seguir:

Representação do objeto direto anafórico segundo a escolaridade (%)

(Gráfico 3.2 de Averbug, 2000:58

Observe-se que, à medida que cresce o nível de escolaridade, cresce o uso do clítico e cai o uso do pronome pessoal do caso reto, que chega a desaparecer na escrita dos universitários. Assim, o processo de escolarização consegue levar o aluno a usar o clítico e inibe o uso do pronome nominativo. Mas veja-se que esse êxito é relativo e que o uso dos SN anafóricos e o uso do objeto nulo, embora diminuam, se mantêm como estratégias importantes para representar o objeto anafórico. Naturalmente, essa recuperação do clítico pela escola não se dá sem problemas, o que é esperado, pois uma estrutura ausente da fala será vista pelo aluno como algo absolutamente novo. Em estruturas simples (“Eu o vi”) essa recuperação é bem mais fácil do que em estruturas complexas, como as que envolvem verbos transitivos predicativos (“Eu a acho sensacional”) e causativos (“Mandei-o sair”) e tempos compostos (“Não a tenho visto”) entre outras (cf. a esse respeito Duarte 1989).

De qualquer forma, o que o gráfico mostra é que uma descrição honesta da língua escrita não pode ignorar que o uso de SNs anafóricos e de uma posição vazia são estratégias legítimas, ao lado do clítico, para representar o objeto direto anafórico hoje na língua escrita. Da mesma forma, um curso de formação de professores não pode ignorar a realidade lingüística brasileira.

Já há muitas pesquisas sobre o português falado no Brasil e esses resultados têm revelado uma grande semelhança no que se refere à sintaxe do português brasileiro em todo o território nacional. Muitas pesquisas sobre a escrita padrão estão igualmente sendo realizadas. É preciso que a Universidade faça com que essas pesquisas cheguem aos que atuam nas salas de aula para que possam tornar o ensino mais atual e eficaz. É claro que isso envolve, além de um trabalho organizado, uma mudança de mentalidade, e mudanças de mentalidade não ocorrem da noite para o dia. Mas devemos nos esforçar para encarar com realismo o fato inexorável de que, assim como mudam os homens, também mudam os sistemas lingüísticos, e tentar não agir como agem alguns, para quem uma palavra não pode ser usada porque ainda não aparece nos dicionários (quando sabemos que os dicionários só registram uma nova palavra depois de ela passar a ser usada); uma estrutura não é legítima porque ainda não foi registrada pelas gramáticas, embora apareça com freqüência na escrita padrão.

É preciso, pois, que nós, professores e futuros professores de língua portuguesa, tenhamos consciência de que (a) a distância natural que separa língua oral e escrita é agravada no caso do português brasileiro pelas condições sob as quais se fundou a norma culta no Brasil e (b) a falta de uma descrição do padrão escrito torna essa distância bem maior do que ela de fato é. O que nós vimos aqui brevemente permite chegar à conclusão de que diferenças nascidas já há muito tempo, e forçadas a se conter por um normativismo exagerado e irracional, já não conseguem mais se conter dentro dos limites que lhes impuseram e começam a se firmar em nosso sistema.

Só com essa consciência, vamos obter êxito no processo de facilitar ao aluno o acesso a uma variedade que ele ainda não domina e saber em que aspectos devemos investir esforço e tempo, deixando para mais tarde o trabalho de lidar com fatos gramaticais que já não fazem parte do que é realmente o padrão atual. Nesse sentido, sim, estaremos contribuindo para munir o aluno de uma outra ferramenta de que ele ainda não dispõe - a língua portuguesa oficial - que constitui, juntamente com a língua materna, que ele domina tão bem quanto qualquer outro brasileiro que jamais entrou numa sala de aula, um instrumento de identidade cultural, em meio a tantas outras formas de expressão da cultura de um povo. E a escolha dos autores nesse trabalho que se realiza na escola é fundamental. É preciso levar isso em conta particularmente nos primeiros anos escolares sob pena de acontecer ao aluno o mesmo que aconteceu com Graciliano ao ler os conselhos do pai. Um autor sensível às mudanças por que passa nosso sistema é Luís Fernando Veríssimo, de quem eu cito aqui um trecho bem a propósito do tema que discutimos, retirado da dissertação de mestrado de Cavalcante (1999):

E tenho conseguido me manter inocente de grandes pecados ortográficos e gramaticais desde então, pelo menos se você não for um fanático sintático. Vez que outra um leitor escandalizado me chama a atenção para alguma barbaridade que eu prefiro chamar de informalidade, para não chamar de distração ou ignorância mesmo. Afinal, se a gente não pode tomar liberdades com a própria língua... E nenhum pronome fora do lugar justifica a perda de civilidade. (Veríssimo, O Globo, 19.04.99)

Para concluir, eu gostaria convidar os que me ouvem a ajudar a descrever o verdadeiro português padrão brasileiro, citando Kato (1999:221): “Parece estar na hora de a lingüística resgatar o estudo da língua escrita como objeto (...) contribuindo assim para a área da aquisição e da aprendizagem e para um melhor entendimento do que ocorre nas nossas escolas”.


Abraços,
Alexandre.


Brazilian Girl
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1/05/2003
08:45:19
RE: Que língua fala o brasileiro?
IP: Logged

Message:
A diferenca nao eh que a gente fala Brasileiro, a gente fala portugues, mas quando se fala em portugues "falado no Brasil" e como se falasse do ingles falado na Amrica e do ingles falado na Inglaterra. A diferenca ta nas girias "slangs" e na maneira mais informal de falar.
A gramatica portuguesa eh a estudada no Brasil, mas quando se vai para a vida real, e ate mesmo nas escolas, escreve-se e fala-se diferentemente. Como por exemplo, nao falamos "Darte-ei o ceu " mas "te darei o ceu".
Muitas transicoes na fala, no que se refere a gramatica da lingua portuguesa, sao hj aceitas em escolas. Aqui se estuda gramatica inglesa, mas dai o americano falar cm British ta longe. Sao apenas certas modificacoes e uso que fizeram da lingua portuguesa ter um jeitinho brasileiro de ser! Nada de falar errado nao, mas apenas tons regionais, culturais e locais! Ate eu que morei em 4 estados diferentes no Brasil tinha que adaptar meu "st" de palavras para me adaptar no novo lugar! Uma viagem gostosa!


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