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Subject: A escola é, literalmente, um grande e verdadeira M


Posted by Lucas
On Wednesday, August 07, 2002 at 00:21:59

Message:
A escola é, literalmente, um grande e verdadeira MERDA
Uma visão “revoltada” e talvez até utópica de um cara que a largou por uns tempos

Minha intenção quanto a esse título era chocar, funcionou? Espero que sim.
Clóvis Bornay Invadiu Santos em uma Canoa Furada: essa frase, um decoreba de química, foi a gota d'agua depois de ter passado um ano hesitando em abandonar o colégio. Naquele momento percebi que estava virando uma besta máquina de passar em vestibulares.
A própria escola vangloriava-se em ter o maior percentual de alunos aprovados no curso de seiláoque na universidade X, essa era a sua propaganda.
A decisão que tomei foi difícil, deveras complicada. Sentia-me culpado todo santo dia que levantava de manhã sem o mínimo ânimo de enfrentar o colégio. Sentia-me mal, com um peso nas costas, com o peso da talzinha da responsabilidade não cumprida toda vez que não comparecia à aula (hábito freqüente nos últimos meses). O pior de tudo é que não sabia o porquê daquela falta de ânimo.
Sou anti-social, não nego. Nunca me senti “encaixado” com o pessoal.
Nunca gostei da Mamonas Assassinas, não assistia Cavaleiros do Zodíaco, não colecionei Tazos, nunca me vesti bem, não penteio o cabelo, não gosto de baladas, odeio bebida, tenho raiva mortal de cigarro, nunca tive sequer uma namorada (passaram por mim belas oportunidades, até que elas abrissem a boca)!
Cada ano que se passava demonstrava menos do que eu realmente era para os meus “amigos”. Era uma máscara, eu era um bobo. Nem sequer uma vez falei para ningúem que eu gosto de Chico Buarque, que ouço Tom Jobim, que gosto de ler...
O absurdo era tanto que até comecei a (inconscientemente, é claro) mudar meu jeito de falar, meu jeito de escrever, meu comportamento. Tudo para me “encaixar”.
Isso não funcionou, além de ficar cada vez mais distante das únicas pessoas que prestavam, ficava mais distante de mim mesmo. Não me reconhecia mais... Eu não era mais eu.
Na metade da oitava série não suportava mais aquele ambiente. Presava muito uma professora de matemática que me deu aula por dois anos seguidos, só vi como era tolo quando a professorinha perguntou “Qual é seu nome mesmo?”.
A única coisa que me deixou feliz naquele ano foi meu 0 (sim, ZERO) em português. A professora justificou dizendo que “é feio pedir para seu pai fazer suas redações”, não respondi absolutamente nada, apenas abri um sorriso e fui me sentar, orgulhoso.
Comecei a faltar: uma dia, dois dias, três, quatro, cinco, seis... 2 semanas seguidas. Cada dia de ausência aumentava ainda mais a minha vontade de largar.
Mudei de escola, mas não adiantou.
Meu erro foi ter empurrado com a barriga, fui empurrando com a barriga até a metade do primeiro ano... Até que explodi com a Invasão de Santos e larguei aquela bosta! Sim, aquela bosta! Continuei me sentindo culpado nos primeiros dias, mas depois vi que havia tomado a decisão certa.
Que tipo de modelo de ensino cria bestas que mal sabem escrever e interpretar um texto em pleno ensino médio? Em plena faculdade? A atitude da professora que me deu aquele zero é normal olhando por esse aspecto.
Não me considero especial, muito menos inteligente. Sou apenas menos burro que alguns, somente isso. Também, com essa concorrência, nem preciso me esforçar muito.
Será que eu vou terminar o colégio? Sim, vou. Às custas de um imenso sacríficio, mas terminarei. Será que eu vou fazer uma faculdade? Sim, claro: vou cursar a faculdade de Quixeramobim do Bom Jesus e guardar meu diploma na gaveta. Não farei isso por pressões externas, farei somente porque quero. Foi um choque para minha família quando anunciei que iria abandonar a escola, ora, afinal está “errado” um menino de 15 anos fazer isso, sofri, mas não cedi. Toda experiência é válida, incluindo abandonar o colégio.
Esse tempo parado adiantou muito: pela primeira vez na minha vida tenho certeza absoluta das decisões que tomo, talvez até mude de idéia no futuro, mas no momento não tenho dúvidas. Já descobri a carreira que desejo seguir, já descobri o jeito que quero viver, já (re)descobri quem sou.
Bati a cabeça muitas vezes, mais as lições que aprendi não tem preço.
A escola/faculdade não prepara ninguém para trabalhar, muito menos para a vida. Afinal, o que é a vida? Eu não sei, mas já que estou aqui mesmo por que não tentar aproveitar? Sou muito feliz com as oportunidades que tive, com as escolhas que tenho liberdade de tomar. É irônico, mas pobre de quem nunca teve uma escolha na vida, pobre de quem nunca pôde ir à escola. Apesar de tudo, me considero um cara sortudo!


Você achou que sou um nerd? Que preciso dar uma bimbadas pra me curar? Então parabéns, acabou de provar meu ponto de vista. Não entendeu isso também, não é mesmo? Então esquece (ou vá contar pros seus amiguinhos amanhã na escola, eu realmente não me importo)!




Um tal de Lucas
07/08/2002
04:17 da manhã

RE: A escola é, literalmente, um grande e verdadeira M
Posted by thiago
On Tuesday, September 10, 2002 at 08:48:02

Message:
aí maluco, não sei se vc tá falando sério, mas se vc tiver eu concordo com quase td. só não concordo que a escola é uma total merda. mas concordo com o resto. se vcnão tava afim de continuar na escola, tinha q sair mesmo. se vc tá mais feliz agora, parabéns, vc fez a escolha certa, pq o q imporat é ser feliz e foda-se a opinião dos outros. continue assim, sempre fazendo o q vc acha certo. e qd vc uiser voltar a estudar, espero q vc se dê bem.

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