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Subject: O Futuro do FMIPosted by Brazilian On Thursday, August 08, 2002 at 22:59:11 Message: Futuro do FMI depende de sucesso do Brasil Editorial Financial Times Esqueça o discurso sobre grandes pacotes de auxílio serem coisa do passado. Um pacote não pode ser muito maior do que o empréstimo de US$ 30 bilhões do Fundo Monetário Internacional para o Brasil. Um fracasso destruirá não apenas a frágil economia brasileira, como também a própria razão de ser do FMI. A recente crise de confiança na economia brasileira reservou às autoridades poucas alternativas. Elas poderiam não ter tomado medida alguma e permitido que o real se desvalorizasse, o que causaria inúmeras concordatas em decorrência de insustentáveis dívidas em dólar. O resultado seria recessão calote; poderiam ainda ter defendido a moeda com taxas de juros ainda mais elevadas e levado à falência um outro conjunto de empresas nacionais; poderiam também reduzir seus prejuízos e deixar imediatamente de pagar suas dívidas. Mas caso não fossem adotadas medidas que impedissem a falência de empresas nacionais, o resultado seria caótico e provavelmente implicaria no mesmo resultado indesejado e geraria um contágio que disseminaria os problemas brasileiros por toda a América Latina. O empréstimo concedido pelo FMI garantiu a única esperança de um final feliz para o Brasil. Ele oferece ao país a oportunidade de restaurar a confiança e reduzir os problemas de liquidez do governo através do crescimento da economia. O auxílio ao Brasil pode funcionar. Um dos fatores responsáveis pela crise de confiança foram as insinuações danosas e impensadas de Paul O'Neill sobre a corrupção na América Latina. Sob este aspecto, o sólido apoio norte-americano a este pacote deverá reparar em parte o dano causado. O Brasil, ao contrário da Argentina, cumpriu as metas de restrição do déficit orçamentário definidas pelo FMI. E o risco político após as eleições de outubro acabou atenuado pela interessante estrutura do pacote do FMI. Aproximadamente 80% do empréstimo foi definido para 2003, e será condicionado ao cumprimento das metas orçamentárias. Caso um candidato de oposição chegue à Presidência e comece a gastar sem responsabilidade, o dinheiro não será repassado. Mas não há garantia de sucesso. A liquidez brasileira está contra a parede. A continuidade do lento crescimento da economia (que não é favorecida pela rígida política orçamentária do governo), a redução do déficit orçamentário ou taxas de juro mais elevadas poderão facilmente ocasionar uma nova crise de confiança. E não resta dúvida de que este pacote poderá estimular a concessão imprudente de empréstimos ao Brasil. Há ainda a certeza sinistra de que, por trás da decisão de conceder este empréstimo, encontra-se um fator político: o FMI quis mostrar que ainda possui um objetivo, e o governo norte-americano estava ansioso para reparar o dano imposto à região pela língua solta de O'Neill. Caso as coisas tenham realmente acontecido desta maneira, maiores serão as chances de um fracasso. Deve-se conceder ao Brasil e ao FMI o benefício da dúvida. A importância da economia brasileira, que não está fadada ao fracasso ou a uma moratória, é grande demais para que se permita seu colapso. Mas ambos os argumentos são aceitáveis: afinal, de nada serviu conceder à Argentina uma chance a mais para lutar. O FMI fez uma aposta gigantesca. Tradução: André Medina Carone | |